Mudar de Identidade é a Chave Para Melhorar Nossos Resultados e Garantir Hábitos Duradouros

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Os homens querem sempre mudar sua identidade. Sentem, desde a juventude, esta necessidade de reforma e reinvenção.

Percebem que, para melhorar sua vida e resultados, devem tornar-se pessoas melhores.

Mas tentam mudar quase sempre por meios inadequados: ou procuram fórmulas mágicas ou perseguem, desde o primeiro momento, algum resultado extraordinário.

Têm pressa de mudar; e não percebem que a pressa muitas vezes é atraso.

Mudar nossa identidade é possível, mas como fazê-lo? Esta é pergunta que responderei neste artigo.

O estudo dele fornecerá todo o conhecimento teórico e prático que você precisa para operar mudanças duradouras na sua identidade, hábitos e resultados.

Por Que Nossos Hábitos Não Duram?

Ao tentarmos criar um novo hábito, focamos quase sempre na coisa errada: definimos uma meta, um resultado específico a ser alcançado.

Assim, por exemplo, se queremos adquirir o hábito da leitura, fazemos um propósito como “ler 10 páginas de um livro por dia durante 30 dias” e acreditamos que a conquista deste objetivo será suficiente para criar o hábito desejado.

Mas embora esta estratégia possa eventualmente funcionar, são grandes as chances de que este novo hábito não se estabeleça como gostaríamos.

Mesmo depois da leitura das 300 páginas propostas, existe a possibilidade de retornarmos à condição de não-leitores.

A razão disto é que todo comportamento incompatível com a nossa identidade tende naturalmente a ser abandonado ou esquecido. Em outras palavras, enquanto não possuirmos a identidade de leitor não podemos estar seguros de termos adquirido o hábito da leitura.

Para entendermos melhor essa tendência, precisamos avaliar os três níveis possíveis de mudança.1

Os 3 Níveis de Mudança

Utilizamos aqui a palavra “nível” para transmitir a idéia de profundidade, pois, com efeito, nossas mudanças podem dar-se em diferentes “camadas”.

Podemos representar visualmente estes três níveis utilizando três círculos concêntricos:

Representação visual dos três níveis possíveis de mudança com o uso de três círculos concêntricos. O círculo exterior representa o nível dos resultados, o círculo central representa o nível dos processos e o círculo interno representa o nível da identidade.

Uma mudança pode acontecer, portanto, no nível dos resultados, dos processos ou da identidade:

  • Resultados. Nesta camada, a mais exterior e superficial, há uma mudança nos efeitos e consequências das ações realizadas;
  • Processos. Nesta camada há uma mudança nos hábitos, métodos e modos de proceder;
  • Identidade. Nesta camada, a mais profunda, há uma mudança nas crenças e na visão de mundo.

Um bom entendimento destes níveis de mudança é fundamental. Cada um deles tem sua função e, principalmente, seu momento.

Não há um nível melhor ou pior: há o mais adequado à situação particular de um indivíduo num dado estágio. O foco no nível errado faz fracassar um grande número de intenções de mudança, por sinceras que sejam.

Necessitamos entender bem estes níveis para estabelecer estratégias capazes de promover transformações pessoais sólidas e duráveis em todas as áreas de nossas vidas.

O nível dos resultados

O nível dos resultados é o mais exterior e superficial. É também aquele no qual ordinariamente nos concentramos.

Neste nível, a mudança dá-se por uma alteração nos efeitos de nossas ações, sem que haja necessariamente uma transformação pessoal mais profunda.

Tradicionalmente, metas costumam estar associadas com este nível de mudança.

Alguns exemplos comuns de mudanças escolhidas em função dos resultados são:

  • Perder peso;
  • Correr 10Km;
  • Ler um livro por mês;
  • Comprar um carro;
  • Obter um aumento de salário.

O nível dos resultados é adequado para pessoas que já possuem:

  1. Processos de trabalho eficientes;
  2. Uma identidade pessoal alinhada com os resultados desejados.

Para aqueles que estão dando os primeiros passos na aquisição de um novo hábito, porém, o “foco nos resultados” é a abordagem menos indicada.

Mudanças nos outros dois níveis – processos e identidade – constituem como que pré-requisitos à conquista de metas.

Resultados expressivos numa determinada área são mais facilmente obtidos por aqueles que já estão preparados para obtê-los.

O nível dos processos

A mudança que acontece no nível dos processos preocupa-se em modificar hábitos e sistemas de trabalho.

Seu foco não é a conquista de uma meta ou resultado, mas o desenvolvimento dos processos e métodos a serem usados para atingi-los.

O nível dos resultados orienta-se ao fim, enquanto o nível dos processos orienta-se ao meio.

Há, portanto, entre estes dois níveis, uma relação de complementaridade que pode ser expressa numa fórmula simples:

Desenvolvemos processos para atingir resultados.

Alguns exemplos de mudanças efetuadas no nível dos processos são:

O nível dos processos preocupa-se também com a melhoria contínua. Seu foco é o desenvolvimento e refinamento de “modos de proceder” cada vez mais eficientes.

Encontra-se neste nível de mudança uma dedicação à arte, isto é, uma busca pela “ordenação correta dos atos” que visam produzir um efeito.

Santo Tomás de Aquino (1225 — 1274) nos dá a seguinte definição de arte:

[A arte é] uma ordenação correta da razão pela qual os atos humanos alcançam, por determinados meios, o fim devido.

O nível dos processos é, portanto, o “nível da arte”.2 Mudanças neste nível capacitam-nos para a conquista de resultados e metas ao tornar-nos tecnicamente competentes na prática de um ofício.

Leia também: Esqueça o Foco nas Metas: Desenvolva Sistemas e Processos

O nível da identidade

O nível da identidade é o mais profundo e difícil de ser modificado, mas é também aquele em que as mudanças são mais duradouras.

Neste nível estamos falando de nossas crenças, visão de mundo, auto-imagem e julgamentos. Nossas certezas e preconceitos mais cristalizados estão associados ao nível da identidade.

É aqui, portanto, que devemos concentrar nossos esforços se desejamos estabelecer hábitos e comportamentos duradouros e capazes de redirecionar o rumo de nossas vidas.

Mudar nossa identidade, corrigindo-a ou aprimorando-a, é o ponto de partida para grandes mudanças e resultados extraordinários no médio e longo prazo.

A verdadeira mudança, a mudança propriamente dita, é a mudança de identidade.

Mudanças nos resultados e processos não modificam nossa personalidade e mentalidade e, por isso, não fazem de nós “uma nova pessoa”.

A mudança de identidade, porém, modifica aspectos de nós cuja repercussão alcança todas as áreas da vida.

Ao mudar de identidade, tornamo-nos capazes de desenvolver hábitos e de comprometermo-nos com métodos de trabalho diferentes daqueles que habitualmente praticamos.

Essas mudanças habilitam-nos, então, a conquistar resultados mais significativos. Exploraremos este nível em mais detalhes adiante.

As Relações Entre os 3 Níveis de Mudança

Podemos resumir assim o que aprendemos sobre os três níveis de mudança:

  1. O nível dos resultados preocupa-se com o que queremos;
  2. O nível dos processos preocupa-se com o que fazemos;
  3. O nível da identidade preocupa-se com o que acreditamos.

Há entre eles uma relação de interdependência que precisa ser entendida para melhor estabelecermos nossas estratégias de desenvolvimento pessoal:

  1. Se desejamos um resultado, devemos estabelecer um processo capaz de produzi-lo;
  2. Este processo precisa, claro, ser seguido com consistência;
  3. A consistência depende de convicções sólidas;
  4. Convicções sólidas são estabelecidas no nível da identidade.

Os resultados que desejamos tornam-se possíveis, portanto, quando temos uma identidade capaz de comprometer-se com os processos de trabalho certos durante o tempo necessário.

Esse comprometimento, no entanto, não está ordinariamente ao alcance de todos: ele depende da virtude especial da perseverança, que não possuímos naturalmente e precisa ser desenvolvida.

É comum ouvir de meus clientes que, mesmo sabendo exatamente o que precisam fazer para alcançar um objetivo, eles não são capazes de seguir o método proposto.

Poucos dias se passam até que abandonem o processo de trabalho definido ou modifiquem-no radicalmente.

Não possuem uma identidade que proporcione um comprometimento à altura da conquista desejada. Carecem daquela constância sem a qual não se produz nada digno de valor.

Falta-lhes, em última análise, as convicções sólidas que permitem seguir um método de trabalho com fidelidade, e estas convicções só podem ser construídas se decidirmos mudar nossa identidade.

Leia também: Disciplina: Como Ser Consistente Todos os Dias e Realizar Mais Sonhos

Como Determinamos Nossa Identidade?

A identidade que carregamos é determinada principalmente por nossos hábitos: “somos o que repetidamente fazemos”.3

Quanto mais repetimos um comportamento, mais a identidade associada àquele comportamento é reforçada.

Neste sentido, nossos comportamentos habituais tornam-se, para nós, evidências da nossa identidade, e conforme essas evidências acumulam-se nossa auto-imagem vai se consolidando.

O processo de formação de hábitos é, portanto, o processo através do qual nos tornamos quem somos. Para mudar nossa identidade, os hábitos são a chave.

Esta formação da identidade, claro, é gradual: estamos continuamente passando por microevoluções do eu.

Naturalmente, nossos hábitos não são os únicos elementos formadores da nossa identidade, mas em virtude de sua frequência eles são, sem dúvida, os mais importantes.

Em última análise, todas as nossas experiências de vida contribuem de alguma forma para a formação e mudança da nossa identidade.

O meio prático para mudar de identidade

No nível da identidade, nenhuma mudança significativa pode ser operada de forma repentina ou instantânea.

Neste nível, há pouca margem para manobras e truques: o trabalho lento e gradual precisa ser feito.

E se, por um lado, a necessidade de realizar este lento trabalho pode desanimar-nos, por outro lado, o fato de que ele pode ser feito sem a necessidade de esforços heróicos deve alegrar-nos.

De fato, para mudar nossa identidade, atos intensos e grandes esforços são pouco efetivos.

A prática reiterada de pequenas ações é um meio mais eficaz de fornecer-nos as evidências que necessitamos para operar mudanças significativas de identidade.

O trabalho de formação de hábitos simples é, portanto, o meio prático para mudar uma identidade:

  • Para tornar-se um escritor, escreva-se alguns parágrafos ou minutos por dia;
  • Para tornar-se um triatleta, realize-se diariamente um curto treino de natação, ciclismo ou corrida;
  • Para tornar-se um investidor, invista-se um pouco de dinheiro a cada semana ou mês.

A prática contínua destas ações acumularão evidências de que você é o tipo de pessoa que escreve, treina ou investe, e depois de algum tempo você será capaz de reconhecer-se como um escritor, atleta ou investidor.

Naturalmente, a mesma lógica é válida para a prática reiterada de comportamentos negativos.

Cada vez que um mau hábito é praticado, acumula-se uma evidência de que você é o tipo de pessoa que costuma roer unhas, consumir pornografia ou procrastinar.

Combater nossos maus hábitos, substituindo-os por hábitos capazes de fornecer os mesmos benefícios sem nos causas prejuízos, é uma forma extremamente eficaz de mudar nossa identidade.

No guia Como Mudar Hábitos Negativos e Eliminar Comportamentos Prejudiciais você encontrará tudo o que precisa para converter seus hábitos negativos em hábitos capazes de contribuir com a formação de uma nova e poderosa identidade.

Os 2 Passos Para Mudar de Identidade

Já sabemos que uma nova identidade só pode ser estabelecida mediante o acúmulo de evidências em seu favor.

Portanto, se continuarmos a desempenhar as mesmas ações, reforçaremos a mesma identidade e, por conseguinte, os mesmos resultados serão obtidos.

Para mudar nossa identidade devemos, então, seguir um processo que pode ser descrito em dois passos:

  1. Definir o tipo de pessoa que desejamos ser, isto é, que nova identidade queremos desenvolver;
  2. Praticar reiteradamente pequenas ações que acumulem evidências em favor desta nova identidade.

O processo de mudar nossa identidade não pode ser realizado por um método cujo funcionamento é garantido. Trata-se de uma operação espiritual e psicológica sutil.

Dia após dia e sempre na posse de um espírito tranquilo, devemos realizar pequenos atos cujo objetivo é produzir em nós uma nova disposição permanente, semelhante àquela que os filósofos escolásticos da Idade Média chamavam de habitus.4

1. Definir uma nova identidade

Quais valores encarnaremos em nossa conduta diária? Quais virtudes e qualidades morais desejamos possuir? Que habilidades desenvolveremos? Qual será a nossa obra?

Enfim, quem desejamos tornar-nos?

Estas são questões existenciais sérias que poucas pessoas são capazes de responder com segurança e clareza.

A maioria delas, no entanto, é capaz de declarar com boa precisão os resultados que desejam e o estilo de vida que gostariam de viver. Esse é um bom início.

Partindo destas certezas, podemos realizar uma “engenharia reversa” até alcançarmos a identidade que corresponde aos resultados desejados.

Coloquemo-nos, então, como modelos iniciais, as seguintes perguntas:

  • Que tipo de pessoa é capaz de obter [resultado desejado]?
  • Que tipo de pessoa é capaz de construir para si [estilo de vida desejado]?

Agora substitua as variáveis “resultado” e “estilo de vida” e faça pergunta específicas:

  • Que tipo de pessoa é capaz de receber um salário de 10.000 reais na área em que trabalho?
  • Que tipo de pessoa é capaz de possuir um negócio online e viajar o mundo?
  • Que tipo de pessoa é capaz de perder 10Kg?
  • Que tipo de pessoa é capaz de ler dois livros por mês?
  • Que tipo de pessoa é capaz de aprender um novo idioma?

Respostas claras à estas perguntas fornecerão informações valiosas para a definição de uma estratégia de pequenas ações que, pouco a pouco, formarão sua nova identidade.

Como formei a identidade de coach e educador

Em 2012, coloquei para mim mesmo, com muita seriedade, a seguinte pergunta:

Que tipo de pessoa é capaz de ser um coach competente nas áreas de planejamento de vida e produtividade e viajar livremente enquanto atende seus clientes?

Meditando sobre esta pergunta durante um longo período5, obtive como resposta um conjunto de informações que formaram a primeira versão do meu Plano de Vida.

Este Plano de Vida articulou, num único lugar, tudo o que julguei necessário saber e praticar para construir o estilo de vida que eu desejava:

  • O valores que deveria cultivar;
  • As virtudes que precisaria desenvolver;
  • Os maus hábitos que deveria eliminar;
  • A obra que precisaria produzir;
  • Os métodos e processos de trabalho que deveria utilizar;
  • As habilidades que precisaria desenvolver;
  • Os conhecimentos que deveria obter.

Ao meditar e responder cuidadosamente a pergunta acima, fui capaz de desenvolver para mim uma verdadeira “bússola existencial”.

Ela apontou o caminho que eu deveria seguir e me preveniu, em muitos momentos, de desvios que me afastariam do resultado desejado.

Com este Plano, fui capaz de estabelecer uma estratégia de pequenas ações que gradualmente formou em mim a identidade de coach e educador que carrego hoje.

Sua resposta à pergunta sobre a sua nova identidade não precisa dar origem a um Plano de Vida, mas deve ser tão clara e detalhada quanto possível.

Se, no entanto, a idéia de produzir um Plano de Vida lhe parece interessante, você pode contar com a minha ajuda como o seu coach e orientador pessoal.

2. Estabelecer uma estratégia de pequenas ações

Uma vez que você saiba, com a maior riqueza de detalhes possível, o tipo de pessoa que deseja tornar-se, comece a dar pequenos passos para fortalecer esta identidade.

Não tema começar pequeno, praticando com simplicidade os mais básicos rudimentos desta nova identidade. Identifique as ações próprias do tipo de identidade desejada e pratique uma versão simplificada ou minimalista destas ações?

Deseja tornar-se um corredor após anos de sedentarismo? Qual a ação própria desta identidade? Correr, claro. E o que pode ser uma versão simplificada desta ação? Caminhadas diárias de 15 minutos.

Deseja tornar-se um bom leitor de livros? Um leitor experimentado é capaz de ler, habitualmente, 100, talvez 200 páginas por dia. Uma versão minimalista deste hábito pode consistir em ler 2, 5 ou 10 páginas por dia.

Resultados não interessam neste momento. Não os busque. Concentre-se exclusivamente no acúmulo de evidências em favor de sua nova identidade.

Permita que os valores e princípios próprios desta nova identidade dirijam a prática das ações escolhidas. Mantenha-os diante dos olhos da mente e plante-os no coração.

“A grandeza das ações humanas mede-se sobretudo pela inspiração que as faz nascer”.6

Se a sua inspiração para agir pequeno é a formação de uma identidade nobre, considera como nobres também teus esforços humildes. Na hora certa eles produzirão resultados.

Um poderoso auxílio para mudar nossa identidade

O processo de formação de uma identidade pode ser consideravelmente acelerado se unirmos à prática das pequenas ações a contemplação regular da identidade que buscamos.

Trata-se, aqui, de, nos momentos de relaxamento e sempre com paz de espírito, deixar-nos inundar pelo ideal que buscamos, vendo-nos a nós mesmos, em imagens vívidas, como já portadores dos hábitos que estamos trabalhando para desenvolver.

“A imaginação”, disse Northrop Frye (1912 — 1991), “é o poder de construir modelos possíveis da experiência humana”.

Façamos uso, portanto, da faculdade imaginativa em favor do nosso ideal. Não é verdade que, tantas vezes, a usamos como objeto para ferir a nós mesmos, enchendo-nos de temores infundados?

Invertamos este uso nocivo desta capacidade magnífica. Imaginemo-nos felizes, realizados, sendo quem desejamos ser e fazendo o que aspiramos fazer. Façamos isso com valentia e, principalmente, com prazer.

Santo Tomás afirma que o prazer qualifica as funções e pode servir para classificar os homens. Mais ainda: além de servir para classificar, o prazer pode servir para nos impulsionar à prática do bem.

As imagens favoráveis à nossa nova identidade produzidas por nossa potência imaginativa servirão para nos motivar à ação.

Peça-se um café ou prepare-se um chá; procure-se um local agradável e silencioso; acomode-se confortavelmente e entregue-se à contemplação do seu próprio bem.

Conclusão: Mudar de Identidade é Necessário

Nossos comportamentos habituais são sempre um reflexo da identidade que carregamos num dado momento, do tipo de pessoa que acreditamos ser.

E não importa se estamos conscientes ou não desta identidade: ela permanece moldando nosso modo de pensar e agir.

Para modificar nossos comportamentos devemos, portanto, iniciar um trabalho de descoberta e reforma das idéias que temos a nosso próprio respeito.

É por esta razão que inicio todos os meus processos de coaching realizando com meus clientes uma criteriosa investigação de identidade.

Por meio de exames de consciência e exercícios espirituais extraídos das tradições filosóficas grega e latina, exploramos temas como valores, morte, legado, virtudes, aspirações e vida moral.

Pintamos, assim, um vívido quadro da identidade que carregam atualmente e das modificações que devem ser feitas para que uma nova vida e novos resultados sejam possíveis.

É só a partir deste ponto que estamos prontos para falar sobre processos de trabalho, produtividade e metas.

Se você tem fracassado em seus esforços para buscar resultados e melhorias de vida, convido-o a realizar um processo de coaching comigo.

Notas de rodapé

  1. Os três níveis de mudança apresentados neste artigo foram extraídos do capítulo 2 do livro Atomic Habits, do escritor norte-americano James Clear. Eles são uma forma simples de apresentar noções de antropologia filosófica e ética que, se fossem expostas, tornariam este artigo muito extenso. Atomic Habits é um livro repleto de simplificações muito úteis e didáticas.
  2. No artigo O Que é Coaching? Uma Resposta Científica e Filosófica encontra-se um aprofundamento da noção de arte e a distinção clássica entre as artes liberais e as artes servis. Se você considera passar por um processo de coaching comigo, a leitura deste artigo também será útil para esclarecer minha visão pessoal a respeito do assunto.
  3. “Nós somos o que repetidamente fazemos. A excelência, portanto, não é um ato, mas um hábito.” Está citação, comumente atribuída a Aristóteles (384 a.C. — 322 a.C.), foi na verdade escrita pelo filósofo e historiador norte-americano Will Durant (1885 — 1981) para resumir o pensamento aristotélico a respeito da relação entre hábitos e excelência.
  4. A noção de habitus utilizada pelos filósofos escolásticos tem origem na noção aristotélica de hexis, cujo significado é “um arranjo relativamente estável” ou “uma disposição”. Habitus, portanto, indica um caráter moral adquirido e firmemente estabelecido que orienta nossos sentimentos, desejos e conduta em uma situação.
  5. Quase dois anos passaram-se até a conquista do meu primeiro cliente, no final de 2013, e minha primeira longa viagem como nômade digital aconteceu apenas em 2015, quando estive na China por pouco mais de dois meses. Foi lá que escrevi a maior parte das meditações do livro 55 Meditações e Broncas.
  6. Louis Riboulet, Conselhos Sobre o Trabalho Intelectual, 2019, p. 13.